domingo, 11 de maio de 2008

A Geografia do geógrafo:

Fui para o II Encontro Regional da Geografia do Sul, o título e uma das pautas do evento foi: A Geografia serve, em primeiro lugar, para quê(m)?, pergunta pertinente, na qual, busco aqui um convite para pensarmos no assunto, e em conjunto procurarmos respondermos. Partimos de uma curta análise (abrangente) do contexto atual, do campo de trabalho, e possibilidades de trabalho para o geógrafo professor e geógrafo bacharel.

Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido, o ciberespaço ha um bom tempo é o verniz da cidade, e pilar do termo pós-moderno. A reprodução do capital em espaços públicos continua em ascensão. Atualmente, a desigualdade social é produto de decisões coorporativas e de grupos de interesses.

Como, em Porto Alegre e diversas partes do globo, a grande maioria da população, se relaciona com o meio natural e social de uma forma muito desarmônica e individual, exercendo a concorrência competitiva. Espaços que reproduzam valores morais, que trabalham a cidadania incentivando o coletivo, ainda são presentes, mas sob regime de contra-ponto ao modelo neoliberal. Mas o fato é que a população convive explicitamente com mecanismos da destruição de direitos trabalhistas, Estado-Nacional e cidadania, me refiro, aos supermercados Big e Nacional (Wall Mart)..., orkut, Shopping Centers e o cultivo da moda das roupas de marcas. Aliás, não tem coisa mais perversa pra cultura popular que a pirataria da moda (vestimentas de marcas).

Me preocupo como é mostrado a atualidade (mundo, política, notícias, educação) para juventude... Vejo que o acesso a informação está cada vez mais fácil em Porto Alegre, mas a grande juventude não tem interesse, é preferível escutar funk e musicalidades internacionais do que escutar o programa Voz do Brasil, é preferível freqüentar uma Lan House e ficar horas no Orkut, ao invés de acessar os diversos jornais disponíveis online...

A coisa está complicada! A alienação bati na porta antes de um professor de Geografia explicar o globo terrestre...

Mas e aí geógrafo? O que fazer num contexto tão diversificado, completo de jogos de interesse, para quê você exerce seu conhecimento?... Que classe você vai servir? Pra quem trabalhar? Que tipo de pesquisa vai pesquisar ?

Perguntas que sempre vão continuar na cabeça daqueles que conhecem e estudam uma ciência...Yves La coste, argumenta que o saber geográfico manifesta-se em dois planos: a “Geografia dos Estados-Maiores” e a “Geografia dos Professores" .

O campo da educação é enorme. Para o geógrafo licenciado, ele apresenta educação pública e educação privada.. temos aí possibilidades que permitem a escolha, e o que os professores andam escolhendo pra dar aulas? O ensino superior tem sido uma baita atração, em função da remuneração, nesta mesma linha andam as escolas particulares...Mas minha dúvida, está com a participação dos professores de Geografia nas escolas públicas e principalmente nas escolas itinerantes/rurais, hein?

Para o bacharelado, as pesquisas das universidades, tem sido uma grande atração, e pra quem o geógrafo anda pesquisando? E quem financia a pesquisa?
Outras possibilidades no campo de trabalho para o geógrafo bacharel, são as instituições estatais (e/ou economia mista), como: INCRA, IBGE, Embrapa, Emater, Petrobrás, IBAMA, secretarias estaduais e municipais... E por outro lado, temos pequenas empresas privadas que atuam na área da Geodésia, geoprocessamento, topografia... E as transnacionais/multinacionais, como: Aracruz Celulose, Votorantin, Cargil, McDonald’s, Wall Mart, Coca-Cola...

Acredito que, quem estuda Milton Santos, e discursa a Geografia Crítica na academia, tem que arcar com sua ideologia, e não se vender por uma oferta de salário de uma empresa que destrói a cultura popular, o meio-ambiente, e propaga alienação na soberania nacional. Muitos profissionais se vendem, afirmando que estão precisando de dinheiro, ou que é necessário para o currículo.
Pois, a legitimação de que não existe outra possibilidade de trabalho, não existe outras formas de preencher o currículo , É PURO MITO !

Que fique bem claro, quem utilizar o saber geográfico para a prática de poder, para estabelecer estratégias de ação no domínio da superfície terrestre, como instrumento de dominação coorporativa, não possui a moral para indignar-se/criticar-se com o plano da injustiça e reivindicar direitos sociais e ambientais.

Milton Santos, com sua obra: Por uma outra globalização, enxerga o mundo atual, como soma de três mundos. Primeiro, o mundo tal como nos fazem crer: a globalização como fábula. Segundo, o mundo como é: a globalização como perversidade. Terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização.

Se acreditamos e lutamos por um mundo mais justo, por uma outra globalização, o Geográfo não pode se vender!


MODA DAS ROUPAS DE MARCAS: a maioria dos adolescentes, consomem a moda da marca, me refiro aos artigos:Adidas, Nike, Puma, marcas de artigos para esporte...
conceitos tirados da obra Geografia Pequena História Crítica de Antônio Carlos Robert Moraes:
GEOGRAFIA DOS ESTADOS MAIORES: uma Geografia ligada a prática do poder.Todo conquistador (Alexandre, César ou Napoleão) sempre teve um projeto com relação ao espaço, também os Estados e, mais modernamente, a direção das grandes empresas monopolistas, instrumento da dominação da burguesia.
GEOGRAFIA DOS PROFESSORES: esta tem uma dupla função, primeiro, mascarar a existência da "Geografia dos Estadox Maiores", apresentando o saber geográfico como um saber inútil, assim mascarar o saber o valor estratégico de saber pensar o espaço. Segundo, serve pra levantar, de uma forma camuflada dados para a Geografia dos Estados maiores.
Leonardo S..M. Gomes

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