Nos tempos recentes, sempre que uma onda de calor mais intenso com marcas acima de 40ºC atinge o Rio Grande do Sul não faltam vinculações entre a temperatura elevada e o chamado aquecimento global. Entretanto, a história climática do estado gaúcho mostra que os recordes mais importantes de calor ocorreram na primeira metade do século XX, quando o planeta sequer havia aquecido e deixava o período da denominada Pequena Idade do Gelo. As conseqüências do resfriamento determinado pela erupção Krakatoa em 1883 ainda se faziam sentir no começo do século passado e os termômetros já indicavam marcas extremamente elevadas no Rio Grande do Sul.
Os recordes de calor no Rio Grande do Sul foram registrados quando a maioria esmagadora da população de hoje sequer havia nascido. Os extremos estaduais se deram durante duas poderosas ondas de calor registradas em 1917 e
Em 1917, quando da intensa onda de calor que afetou o Rio Grande do Sul, um dos principais diários do estado era o jornal A Federação. Fundado em 1º de janeiro de 1884

Moradores de outras áreas do estado reclamavam do calor intenso que se fazia sentir naquele começo do distante ano de 1917. Era o caso da população de Pinheiro Machado, na Serra do Sudeste, onde os termômetros indicavam mais de 30ºC.
Assim como Campo Bom Hoje é identificada como a cidade gaúcha que registra os maiores valores de temperatura durante o verão, era Alegrete em que no começo do século despontava como a cidade mais quente do Rio Grande do Sul. Este era o título de matéria do A Federação em 1917 na qual eram foram abordados os recordes de temperatura na cidade.
O lugar mais quente do estado
Em Alegrete tem feito um calor senegalesco, tendo a temperatura nos dias 17, 18 e 19, attingido, naquella cidade, respectivamente a 41,1C, 42,3ºC e 42,5ºC, o que é extraordinário quando nos lembramos que aqui
Diz a Gazeta de Allegrete, a propósito:
‘Há muitos anos, ou pelo menos desde que aqui temos estação meteorológica, (1912) nunca tivemos um calor tão sufocante, mesmo se attendermos às condições especiaes de impermeabilidade do nosso sólo, por natureza secco e pedregoso.
A respeito das altas temperaturas, Alegrete sempre tem se manifestado um dos pontos mais quentes do Estado, nos mezes de janeiro, fevereiro, março, novembro e dezembro, que soem ser os de maior calor do ano.
Em 1912 excedeu a todas demais pontas do Estado com 38,5ºC, no dia 21 de março.
De então para cá, em cada anno, tem mantido seus créditos em assumpto de temperaturas elevadas como pode se ver dos seguintes quadros:



Em

Como até hoje ocorre, o intenso calor produz tempestades no Rio Grande do Sul. No que é muito comum nos meses de verão em dias de temperatura extremamente elevada, granizo atinge as áreas mais elevadas do estado. Foi o que se deu em 1917. Durante a histórica onda de calor daquele ano uma grande tempestade de granizo castigou a cidade de Vacaria. Já
FONTE: METSUL – disponível em: http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=61&cod_texto=460
Colaboração do colega Pedro Souza.





2 Comments:
Interessantíssimo!!
Muitas discussões são realizadas ultimamente a cerca das possíveis mudanças climáticas. Porém há de se ter mais responsabilidade por parte de alguns setores da sociedade. Em vez de explorar as altas temperaturas que ocasionalmente ocorrem hoje em dia, que também se procure mais informações sobre altas temperaturas no passado próximo (séculos XIX e XX) pois nessa época não tínhamos um processo industrial tão veemente como a partir da década de 50 e mesmo assim as temperaturas atingiram índices muito altos.
Abraços!
Leonardo Lemes
Leonardo:
Muito interessante o artigo. Entretanto, deve-se ater a mais condicionantes, pois a questão climática é bastante complexa. A onda de calor na época pode ter sido causada por "n" fatores, desde explosões solares até vulcanismos terrestres. Este tipo de acontecimento, em geral, denota fenômenos nesta escala espaço-temporal podendo, no entanto, expandir sua ação. A questão do "aquecimento global" diz respeito a um aumento de temperatura ao longo dos tempos, não em um pequeno período, no planeta como um todo. Assim, por exemplo,um dos resultados de minha pesquisa sobre o clima no RS, desde o início do século passado, aponta para uma retração nas áreas de ocorrência do tipo climático Cfb no Estado. Isto é reflexo de um processo de maior abrangência, não de um fator isolado. Uma das causas (não a única) pode ser atribuída à expansão urbano-industrial. A grande questão diz respeito a que esta causa, nós humanos, podemos controlar; as causas naturais, não.
Abraços, Paulo Fitz.
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